Busca do 1º emprego envolve mais que um bom currículo, diz consultora

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Disposição para trabalhar em horários diferenciados, vontade de aprender e boa apresentação pessoal são algumas das armas que os jovens precisam ter para conseguir o primeiro emprego. Essa é a avaliação da consultora em Recursos Humanos, Ivone Mello. Ivone atua em uma agência de empregos em Mogi das Cruzes e destaca que antes de se preocupar em montar um bom currículo, o jovem do Alto Tietê precisar realmente querer trabalhar e aceitar as oportunidades disponíveis no mercado. “É preciso lembrar que na nossa região não temos só indústrias. O segmento de prestação de serviços é o que mais gera oportunidades de trabalho. E isso implica em trabalhar aos finais de semana e feriados. E esse é um problema na hora de contratarmos para alguns cargos.” Ela conta que tem disponíveis vagas para mensageiro de hotel.

O candidato deverá trabalhar das 15h às 23h10 em uma escala 6×1. “O problema é que o profissional vai trabalhar em um hotel que funciona de segunda a segunda. Essa é uma excelente oportunidade para o jovem que procura pelo primeiro emprego. Mas não consigo preencher essas vagas. Os interessados que chegam na agência procuram emprego para atuar de segunda-feira a sexta-feira das 8h às 17h”, avalia a consultora.

curriculos

Depois da avaliação da disposição para o trabalho, o jovem deve se preocupar com a elaboração do currículo. É com ele que o empregador terá uma ideia das qualificações e habilidades do candidato. Para não errar, Ivone Mello orienta que alguns pontos do documento merecem atenção. Os dados pessoais devem estar claros. Além disso, o candidato deve colocar os números atualizados de telefones fixo e celular. Ela diz que um endereço de e-mail ajuda muito na comunicação com o candidato. “Outra coisa que poucas pessoas mencionam é se possuem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e qual a categoria. Muitas vezes temos vagas de operador de empilhadeira. Como a empresa tem dificuldade em encontrar esse perfil, ela oferece um curso para formá-lo. Mas para isso é preciso ter a CNH. Portanto, o candidato que menciona isso no currículo já tem mais chances para uma entrevista.”

Objetivo
Ivone orienta que o campo objetivo precisa ser preenchido de acordo com o interesse do candidato. “É um erro quando ele se coloca à disposição da empresa. Isso porque ela vai entender que o profissional aceita qualquer vaga de faxineiro a porteiro, por exemplo. Ele precisa especificar o que deseja, seja uma vaga na área administrativa ou de produção. Se ele quer uma em especial, como office boy, por exemplo, deve colocar isso no objetivo.” No entanto, a consultora esclarece que é preciso que neste momento o candidato esteja consciente das qualificações, habilidades e competências que possui para desempenhar o cargo desejado. “Ou seja, ele não pode querer ser gerente de pessoal se trabalhou apenas como auxiliar.”

No campo escolaridade além da formação acadêmica do candidato, é importante a presença do estudo do inglês, ou de outro idioma,  e de ferramentas do pacote office. “O inglês é sempre um diferencial. Ele deve espeficar se tem o básico, o intermediário ou o avançado. Se tem fluência ou não, se consegue escrever e entender também. Tudo isso pode contar. O domínio da parte de informática é outra vantagem. Tem muita gente que chega na agência para um teste e tem dificuldade com programas como excel e word.”

Para quem procura o primeiro emprego, descrever a experiência profissional no currículo é um desafio. A consultora explica que mesmo quem ainda não trabalhou formalmente pode ter algumas experiências que devem ser mencionadas no documento. “Quem já fez bicos por exemplo deve mencionar isso. Pode colocar a realização de trabalhos sem vínculo empregatício. É preciso pontuar exatamente onde fez o trabalho, por quanto tempo, o que fez e em que ano foi isso. O mesmo vale para trabalhos voluntários”, detalha Ivone.

Neste campo também pode ser mencionado um projeto que o candidato desenvolveu em algum curso, como técnico por exemplo. Com a redação do documento finalizada, o jovem precisa conferir todos os dados do currículo. Se endereços, e-mails e números de telefone estão corretos. “É nessa hora que o candidato deve perceber se colocou realmente todos os dados no currículo. Por exemplo, tem gente que coloca que está em um curso superior, mas não cita o ano/semestre, o curso e a instituição. É preciso que isso esteja no currículo. O mesmo vale para quem cursa ou já cursou o nível técnico.” Outro cuidado é fazer uma revisão para evitar erros de ortografia.

Curriculo em mãos é hora de buscar oportunidades
Depois de elaborado o currículo chega a hora do jovem fazer com que o documento chegue aos empregadores. Para distribui-lo, o interessado precisa pensar em qual setor deseja se empregar e a partir daí começar sua busca. “É preciso traçar um caminho para ele não ficar atirando para vários lugares. Isso nem sempre dá certo. O ideal é que ele defina onde deseja trabalhar. Se é no comércio, por exemplo, que vá às lojas e deixe os currículos nos estabelecimentos. No caso dos shoppings, alguns empreendimentos tem um espaço destinado aos que buscam uma oportunidade nas lojas do local”, explica Ivone Mello. Outro caminho na opinião da consultora são as agências de emprego e os Postos de Atendimento ao Trabalhador (PAT) para quem se interessa pelos setores de prestação de serviço e indústria.

Tatuagens e piercings
A consultora alerta que depois de traçado o roteiro onde o jovem vai distribuir seu currículo, ele precisa se preocupar com a sua apresentação. Roupas, cabelos e acessórios ajudam os empregadores a conhecerem os candidatos. “Tanto para os rapazes quanto para as moças a roupa ideal para procurar emprego é vestir uma calça e uma camisa. Se optarem por uma calça jeans, por exemplo, não pode ser uma rasgada ou manchada. O ideal é uma com corte tradicional e de cor escura. Os homens precisam ainda estar com cabelos cortados e barbeados. Unhas cortadas é recomendado para ambos os sexos.”

Outra dica da consultora é evitar expor tatuagens, piercings e alargadores. “É claro que tudo tem exceção dependendo do local que o jovem pretende trabalhar. Por exemplo, se ele quer ser vendedor de uma loja de roupas de surf ou skate tatuagens e piercings compõem o visual de quem trabalha com o segmento. Agora, se ele participa de uma seleção de caixa em um banco já não é aceitável.” No caso das garotas o excesso de maquiagem e roupas curtas podem comprometer a avaliação da candidata pelo selecionador. No caso dos garotos, o boné não deve ser um acessório usado na busca pelo emprego.

 

Fonte: http://g1.globo.com/sp/mogi-das-cruzes-suzano/concursos-e-emprego/noticia/2014/10/busca-do-1-emprego-envolve-mais-que-um-bom-curriculo-diz-consultora.html